Estudantes de Psicologia promovem intervenção referente ao Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher

Postado por: CPAR.UFMS

O dia 25 de novembro é conhecido como o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher. Essa data foi instituída em 1999 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Durante essa semana o mundo se voltou para esse tema e várias atividades foram desenvolvidas sobre o assunto. Em Paranaíba foi realizado uma intervenção na praça central da cidade pelos estudantes do Curso de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

A professora Ana Cláudia dos Santos coordena o projeto de extensão “Um dia resolvi mudar: grupo de apoio às mulheres em situação de violência”, que conta com a participação dos acadêmicos de psicologia Arissa Shioya, Dara Suellen, Gustavo Ferraz, Gabriella Elias, Stefany Moreira, Lara Covizzi, Laís Arend e Juliana Telles. Os acadêmicos, juntamente com a professora, desenvolveram uma ação na Praça da República, no período da manhã do dia 23 de novembro.

O objetivo de tal atividade era apresentar e discutir com a população em geral a naturalização da violência contra a mulher. Para isso utilizou-se frases usadas no cotidiano que incitam ou naturalizam esse tipo de violência, com a intenção de refletir com o público o uso problemático dessas frases de maneira que o mesmo possa deixar de usá-las.

Algumas das frases utilizadas foram: Você está magra demais!; Está gorda demais!; Se você for melhor, talvez ele mude!; Ciúmes é prova de amor!; A única coisa que você pilota bem é fogão!; É muito bonita para ser inteligente!; Se ele bateu nela, alguma coisa ela deve ter feito!; Vestido curto demais, tá pedindo!, entre outras frases que marcam o nosso cotidiano.

Essas frases foram expostas em varais espalhados em pontos estratégicos da principal praça da cidade. Os alunos ficavam por perto e iniciavam uma conversa com a pessoas que paravam para olhar o que estava sendo exposto. Através dessa abordagem os estudantes aproveitavam para esclarecer o risco do uso dessas falas, entregavam um boletim informativo sobre as formas de violência contra a mulher, com telefones úteis para uso em caso de necessidade.

Ana Cláudia aponta que atividades nesse formato são uma oportunidade de atingir um número maior de pessoas, principalmente aquelas que não tem acesso as discussões que são realizadas dentro da universidade. Usar frases do cotidiano é uma maneira de trabalhar temas mais delicados e complexos de uma maneira mais simples e compreensível para a população em geral, afirma a docente.

A aluna Arissa Shioya contou que a adesão da comunidade foi muito boa, “as pessoas realmente pararam e escutaram a gente, em algumas ocasiões até paravam e conversavam sobre a própria história de vida, em alguns casos foi quase um acolhimento ali no meio da praça”, contou a estudante.

Arissa reafirmou a importância de discussões como essa sair do espaço da universidade e ser levado para a comunidade. Para a aluna a relevância de trabalhos assim aumenta ainda mais quando se olha para os dados de violência contra a mulher na cidade de Paranaíba e no estado do Mato Grosso do Sul, os índices são altíssimos, afirma a aluna que já vem se dedicando ao estudo desse tema há algum tempo.

A discente conta ainda que poucas cidades do estado possuem uma Delegacia da Mulher como Paranaíba, entretanto, o que os alunos têm observado é que muitas pessoas desconhecem esse fato ou sentem vergonha de ir até a delegacia, por medo de virar notícia na cidade, diz Arissa. “Acredito que mesmo que seja uma atividade simples, isso colabora para desvelar algo que está no cotidiano, mas que as pessoas desconhecem ou preferem não falar sobre”, afirma a aluna.

Brunna de Oliveira Freitas (estagiária Agecom no CPAR)