Projeto de extensão do Campus de Paranaíba/UFMS tem resultados publicados em revista portuguesa

Postado por: CPAR.UFMS

O projeto de extensão “Fortalecendo amor e respeito na diversidade”, coordenado pelo professor Jeferson Camargo Taborda, do Curso de Psicologia do Campus de Paranaíba da UFMS, teve seus resultados publicados na Revista Psicologia e Educação da Universidade Beira Interior, localizada na cidade de Covilhã – Portugal.

O professor, juntamente com estudantes do curso, desenvolve a quase três anos este projeto com familiares de pessoas homoafetivas, resultando em uma pesquisa-intervenção. Os resultados tiveram uma repercussão positiva e proporcionou a publicação na revista portuguesa do artigo denominado “Alegrias e tristezas na (des)construção da orientação sexual entre familiares”.

O objetivo do trabalho é discutir como a revelação da homoafetividade pode gerar alegrias e sofrimentos no âmbito familiar e social. Para isso, foram realizados encontros com familiares que possibilitavam a problematização e discussão sobre essas vivências. 

A ideia inicial surgiu através de Leila Betoni, egressa do curso de Psicologia. Ela relata que através da graduação pôde desconstruir vários preconceitos em relação a diversidade humana e essa experiência gerou o desejo de transmitir os conhecimentos técnicos e teóricos para familiares de pessoas homoafetivas.

Inicialmente os encontros faziam parte do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Leila. Com a conclusão do TCC os grupos viraram um projeto de extensão que continuou com a coordenação do professor Jeferson Taborda e a colaboração dos alunos Sabrina Borsatti e Igor Mena. Leila permaneceu contribuindo com o projeto, mesmo após encerrar a graduação.

“Com toda certeza colhemos muitos frutos nesses quase três anos de grupo […]. Acompanhamos a mudança do discurso dos familiares, que passaram a se referir às filhas e filhos com orgulho de quem são, reconhecendo os parceiros destes enquanto membros da família, tendo a coragem de mudar toda a construção social e cultural que estão inseridas”, conta Igor Mena.

Entretanto Igor aponta que também houve dificuldades nesse processo. A principal barreira foi encontrar participantes para o grupo. “Paranaíba é uma cidade muito conservadora, como toda cidade de interior. Nós ficamos sabendo de casos, fazemos o primeiro contato, explicando os objetivos do grupo, mas, infelizmente, a grande maioria ainda se recusa a participar”, diz o aluno.

Sabrina Borsatti enfatiza a importância de trabalhos assim, tanto para a academia quanto para a comunidade, ambas se beneficiam dos resultados. Os alunos têm a possibilidade de pôr em prática o que aprendem em aula e o conhecimento produzido leva benefícios para a população. “Sabemos o quão marginalizadas são as minorias, dentro e fora da universidade. Possibilitar esse trabalho, foi como dar uma nova direção para os afetos dessas famílias que, em tese, deveriam ser a primeira fonte de respeito e cuidado”, aponta a aluna.

O Professor Jeferson Taborda conta que existem muitos planos para o futuro do projeto, como a produção de mais artigos, a publicação de um livro e abertura de um estágio para acolher as demandas dos jovens LGBTI+. Além disso, um projeto de pesquisa intitulado como “Revelação da homoafetividade no contexto familiar: levantamento e análise da literatura científica e de instituições de acolhimento” está em sua fase inicial. “Neste projeto será feita uma revisão de literatura sobre a revelação da homoafetividade no contexto familiar, especialmente em relação as pessoas trans, haja visto serem estas as pessoas que mais sofrem violência dentre a população LGBTI+”, diz o docente.

A publicação desse artigo foi mais uma motivação para a continuação desse trabalho, todos estão muito felizes com os resultados que o projeto tem gerado. “Essa publicação representa a possibilidade de mudança da vida. Pensar em tudo que aprendemos nos últimos quatro anos de universidade e ver que conseguimos pôr na prática, mesmo que em um contexto limitado, tais conhecimentos, é muito bom. E mais ainda, estamos abrindo caminhos para novos estudantes e pesquisadores avançarem nesse campo de discussão em nosso campus”, diz Sabrina.

Para ler o artigo publicado, clique AQUI.

Brunna Oliveira - Estagiária AGECOM no CPAR